Curso intensivo: Viragem cultural e dissolução dos liames cívicos na reflexão de vico e Leopardi; Leopardi e Pasolini; Pasolini e Benjamin: risco de barbárie e ameaça à civil

O Grupo de Estudos Leopardianos/CNPq tem o prazer de anunciar o curso intensivo:

VIRAGEM CULTURAL E DISSOLUÇÃO DOS LIAMES CÍVICOS NA REFLEXÃO DE VICO E LEOPARDI; LEOPARDI E PASOLINI; PASOLINI E BENJAMIN: RISCO DE BARBÁRIE E AMEAÇA À CIVIL

PROFESSOR: EXPEDITO PASSOS – UECE

CARGA HORÁRIA: 08 h/a

DATA e HORA: 13 a 16 de junho de 2016, das 13:30 às 15:30h

SALA: 311/CCE/B

RESUMO: A presente proposta tem como tema A viragem cultural e a dissolução dos liames cívicos na reflexão de Vico e Leopardi; Leopardi e Pasolini; Pasolini e Benjamin: risco de barbárie e ameaça à civil. Trata-se aqui de um tema a ser abordado com base na orientação filosófica da Estética cultural, com incursões na Ética e na Filosofia social e política, ou seja, uma abordagem que pressupõe antes de mais a concepção de uma Estética mais ampla, a qual ultrapassa a orientação da Filosofia da arte, compreendida apenas como reflexão sobre o belo e a arte. Daí se adotar aqui uma concepção de estética que reflete também sobre os problemas antropológicos, sociais, culturais, linguísticos, comunicativos, políticos e éticos. As exposições serão fundamentadas na seguinte hipótese interpretativa: a perspectiva do diagnóstico cultural, realizado por Giambattista Vico (1668-1744), Giacomo Leopardi (1798-1837) e Pier Paolo Pasolini (1922-1975), ante as transformações do mundo moderno e a modernização italiana, se expressa como crítica ao processo de “racionalização cultural”; “fragmentação dos saberes”; “destruição de valores humanos”; “homologação cultural”; “crise de sentido”; “fim da ideia de Resistência”, e assim por diante, que afetaram certas faculdades e disposição do ânimo humano, associadas à sensibilidade e ao pathos, as quais compõem também a integralidade antropológica do indivíduo, atingindo, igualmente, o éthos que possibilitava certa ordem de sentido. Essa “viragem” se revelou como ameaça aos liames cívicos e ao estatuto antropológico do indivíduo, pois produziu risco de novas barbáries. Na abordagem do presente tema, destacam-se as reflexões realizadas por Vico, durante os séculos XVII e XVIII, considerando em especial a sua concepção de “barbárie da reflexão” elaborada na sua obra Princìpi di Scienza nuova (1725, 1730 e 1744) e, em seguida, aquelas desenvolvidas por Leopardi, durante o século XIX, as quais culminam com a noção de “barbárie da sociedade”, valendo-se das Operette morali (1835), do Discorso sopra lo stato presente degl’ italiani, de 1824, e do Zibaldone di pensieri. Se Vico e Leopardi já identificaram certa barbárie, oriunda das contradições do mundo moderno, Pasolini reconheceu, em suas últimas obras, sobretudo, nos Scritti corsari (1975) e nas Lettere luterane. Il progresso come falso progresso (1976), que após o processo de modernização na Itália, final dos anos Cinquenta aos anos Setenta, ocorreu uma “mutação antropológica” nos indivíduos, afetando-lhes também o estatuto antropológico. Trata-se do advento da “civilização dos consumos” e da presença de um “novo fascismo’ e “novo poder”, de origem tecnofascista, marcando de forma indelével a vida dos indivíduos por causa da homologação cultural. Para Pasolini, os jovens foram os mais afetados nesse processo, na medida em que sofreram a perda de valores humanos com os efeitos da nova cultura, provocando-lhes sintomas os mais diversos como: “perda linguística e expressiva”, “quebra do sentido”, “mimetismo”, “agressividade”, ‘neuroses”, ‘frustrações”, “conformismo”, ‘indiferentismo”, “nova delinquência”, “exibicionismo”, “inexpressividade” e tantos outros. O tema aqui proposto remete, sobretudo, a certa especificidade no tratamento da filosofia italiana, ou seja, de uma interpretação que rompe com os antigos preconceitos de um atraso ou da não existência de uma filosofia na Itália: hoje criticados pelos estudos desenvolvidos na Itália por Roberto Esposito. Tal concepção filosófico-hermenêutica contribui, igualmente, para a elaboração de uma orientação filosófica, a qual defende um pensamento italiano voltado para a vida civil e, ao mesmo tempo, histórico concreto: pressuposto fundamental desta proposta de curso.

 

VPLB

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